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Depois de quase 10 anos de inatividade, Prefeitura anuncia restauro do Museu de Osasco

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Foto: Fernanda Cazarini

Prefeitura de Osasco anuncia conjunto de ações para o restauro do Museu Dimitri Sensaud de Lavaud

Depois de um período de quase 10 anos de abandono e desuso por parte da administração pública e da população, o Museu de Osasco Dimitri Sensaud de Lavaud volta a ocupar a agenda de debates e ações junto à comunidade.
O jornal Página Zero tem acompanhado o histórico recente das condições do Chalé Brícola, instalado em ponto nobre da cidade, à avenida dos Autonomistas, 4001, e que foi transformado no museu da cidade em 30 de junho de 1976, completando portanto, neste ano de 2026, seus 50 anos (ver quadro com histórico do espaço).
Em 2024, por exemplo, este Página Zero divulgou (ed. nº 1.654, de 28/6/24) que um grupo de moradores ligados à cultura local, que se reúne sob o nome de Movimento em Defesa do Patrimônio Histórico Artístico Cultural de Osasco (Modephac), estava se mobilizando para lutar pela restauração e reabertura do prédio que sedia o Museu. Naquela época, o grupo já valiava que “sem manutenção, o prédio histórico vem se deteriorando como pode ser visto das ruas e, assim, vai desaparecendo da memória da cidade”.
O grupo anunciou ter pedido o tombamento do Chalé Brícola à Secretaria Estadual da Cultura e ao Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), recebendo a informação de que o Ministério da Cultura teria iniciado a análise técnica da solicitação.
Ainda em 2024, quando o Museu completava 48 anos, o Modephac promovia também um “abraço simbólico” ao prédio, como forma de dar visibilidade à luta de recuperação e reabertura do espaço.

INÍCIO DO RESTAURO?

Na semana passada, na sexta-feira, 13/3, o Museu de Osasco voltou à agenda da administração municipal: a assessoria do prefeito de Gerson Pessoa (Podemos) informou que ele assino, naquela data, o contrato de início da restauração do espaço em um cerimônia promovida na área externa do próprio museu e que contou com as presenças do vice-prefeito, Lau Alencar; do secretário de Cultura, Marcelo da Silva; do adjunto Hamilton Sant’Anna; de Governo, Luciano Camandoni; de Serviços e Obras, Waldyr Ribeiro; vereadores; e de Antonio Sarasá, restaurador e diretor da empresa que ficará responsável pela reforma do espaço (Estúdio Sarasá Conservação e Restauração S/S Ltda).
Segundo informações transmitidas pela Prefeitura, o contrato prevê a elaboração do laudo sobre a estrutura do casarão, construído na década de 1890, elaboração do plano museológico e, em seguida, o restauro. O contrato é de 18 meses para a execução de todas as etapas. Também de acordo com a administração osasquense, a empresa contratada teria feito o restauro do Museu do Ipiranga, na Capital paulista, do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo do Estado de São Paulo), e do Palácio Piratini (sede do governo do Rio Grande do Sul).
“Este é um dos dias mais importantes desde que assumi o governo há pouco mais de um ano. É bom falar da Osasco de hoje, mas nunca devemos esquecer do passado, porque este equipamento é muito importante para a história da cidade e devemos deixar um legado dessa história para as próximas gerações. Queremos dialogar com a sociedade para que também dê sugestões nesse processo para que nada fique de fora no restauro”, disse o prefeito Gerson Pessoa. O museu encontra-se fechado para visitação pública desde 2017.
A Prefeitura de Osasco não divulgou os custos do contrato prevendo todas as etapas do processo de restauro.

50 anos do Museu

O casarão foi transformado em museu em junho de 1976 – Foto: Marco Infante/PZ

O Chalé Brícola serviu como residência dos pais de Dimitri Sensaud de Lavaud que, na recém fundada Villa Osasco, no final do Século XIX (1.890), decidiu usar o espaço para construir o Aeroplano São Paulo, inspirado no sucesso de Santos Dumont, que havia realizado o primeiro voo em Paris, em 1906. Essa iniciativa acabou virando o primeiro voo da América Latina, em 7 de janeiro de 1910.
Construída por Antônio Agu a pedido do banqueiro Giovanni Brícola, a casa situava-se no alto de um morro e em meio a muitas árvores frutíferas, hoje avenida dos Autonomistas. Depois virou residência da família Sensaud de Lavaud. De arquitetura única no Brasil, retrata o estilo rural paulista oitocentista, com influências da arquitetura do Norte da Itália.
Transformado em Museu, leva justamente o nome de Dimitri Sensaud de Lavaud, em homenagem ao seu feito, e foi inaugurado em 30 de junho de 1976, Está completando, portanto, 50 anos.

O prefeito Gerson Pessoa (ao centro) assinou o contrato para restauro do Museu – Foto: Fernanda Cazarini


 

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