
Flávio Bolsonaro supera Lula no primeiro embate e ambos vão à disputa final de 2º turno pela Presidência do país
O senador Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu algumas pesquisas que durante quase toda a campanha davam como certa a liderança do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pela cadeira de presidente da República nas Eleições 2026. Encerrado o 1º turno no domingo, 4 de outubro, foi o candidato da oposição ao atual governo quem comandou a contagem dos votos desde o início da abertura das urnas e seguiu assim até o final.
Justiça seja feita: um ou outro instituto de pesquisa chegou a apontar tal liderança de Flávio poucos dias antes do pleito. Por um bom tempo da apuração, Flávio permaneceu na frente com mais de 50% dos votos válidos, chegando a dar a impressão que levaria a disputa já no 1º turno. Lula se recuperou e, no final, registrou-se uma vitória do representante bolsonarista por uma diferença de 2,2 milhões de votos. Flávio obteve 53,1 milhões (47,03%), enquanto o atual presidente Lula contabilizou 53,8 milhões (45,16%) – ver quadro.
A divisão dos votos pelas regiões do Brasil também ficou muito nítida: Flávio levou a melhor nos três estados da região Sul, nos quatro da região Sudeste, nos três do Centro-Oeste e em quatro da região Norte, além do Distrito Federal (DF), num total de 14 estados mais o DF. Já Lula levou a melhor nos nove estados da região Nordeste e em três da região Norte, num total de 12 estados (ver mapa). Em relação à eleição anterior para a presidência, em 2022, a divisão entre Lula e o pai Jair Bolsonaro foi praticamente a mesma, com Lula em vantagem em Minas Gerais e em Tocantins, estados em que foi derrotado desta vez.
Também como previam as pesquisas, os outros dez postulantes ao mesmo cargo não computaram votação significativa, sendo que o melhor colocado deles foi o Escritor Augusto Cury, do Avante, com 3,4 milhões de votos (2,89%). Somados, todos os 10 não chegaram a 8% dos votos válidos.
Os dois candidatos mais bem votados, Flávio Bolsonaro e Lula, vão agora à disputa final em 2º turno, marcada para o domingo, dia 25 de outubro. Flávio vai procurar manter e até ampliar a liderança, enquanto Lula tentará uma virada que, correu no processo eleitoral brasileiro desde sua democratização. Ou seja: desde 1989, quem venceu em 1º turno (sete eleições) também venceu no 2º turno. Em apenas duas delas não houve disputa em 2º turno: em 1994 e 1998 Fernando Henrique Cardoso venceu as duas eleições já na primeira parte das disputas.
ESTADO E REGIÃO
Em São Paulo, o estado com o maior colegiado eleitoral do país com mais de 34 milhões de eleitores, a vitória de Flávio Bolsonaro foi ainda mais avassaladora: ele obteve 12,9 milhões de votos (51,93%) contra 9,5 milhões de Lula (38,20%) – ver quadro. Caso esse cenário se repetisse no cenário nacional, Flávio teria vencido a eleição já no 1º turno.
Contabilizando-se apenas os sete municípios da região Oeste da Grande São Paulo por onde circula este jornal Página Zero, Flávio Bolsonaro obteve a vitória em cinco deles (Barueri, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba), enquanto Lula conquistou melhor votação em dois (Carapicuíba e Itapevi).
A cidade onde Lula obteve melhor performance foi Itapevi, com 47,23% dos votos válidos, enquanto Flávio teve seu melhor desempenho em Santana de Parnaíba, com 52,44% dos votos válidos (ver quadro). No cômputo geral da região, Flávio Bolsonaro somou 509 mil votos (45,83%), contra 481.222 de Lula (43,28%).
ABSTENÇÃO: A DÚVIDA!
Com o aumento do número de eleitores em todo o país, seria natural também considerar que o número de pessoas ausentes ao pleito – a chamada abstenção – também aumentasse. E, após a abertura das urnas no último domingo, 4 de outubro, pelo 1º turno das Eleições 2026, essa máxima acabou se tornando realidade.
O problema é que se trata de uma realidade que, para muitos especialistas, chega a ser assustadora: na eleição deste ano, de um total aproximado de 158,7 milhões de eleitores, 33,4 milhões deles não foram às urnas, um percentual de 21,08% em relação ao volume total (ver quadro acima, abaixo do total dos candidatos a presidente).
Em termos de comparação, seria algo próximo ao número de todos os eleitores do Estado de São Paulo (pouco mais de 34 milhões) que teriam deixado de votar. O Estado de São Paulo tem o maior colégio eleitoral do país.
Outro número alarmante: considerando-se todas as eleições presidenciais desde o processo de redemocratização do Brasil, em 1989, esse é o maior índice de abstenção do eleitorado. No pleito de 2018, o número havia registrado o recorde de 20,3%, marca que foi superada pela eleição seguinte, em 2022, com 20,9%. Portanto, o índice de 21,08% de 2026 bate o recorde dos recordes, o que aumenta as especulações em torno do tema: os eleitores não estariam satisfeitos com os candidatos? Não acatam a obrigatoriedade do voto? Enfim, são temas a serem debatidos para o futuro.
Considerando que a disputa em 1º turno para a Presidência da República deste ano registrou uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos em favor de Flávio Bolsonaro (PL) contra Lula (PT), a certeza é que, se algum deles conseguir fazer com que a ínfima parte desse eleitorado ausente retome o hábito de ir votar, pode reformular completamente o quadro atual, em favor de qualquer um deles. A dúvida é: como fazer para esse grande número de eleitores resolver votar e, ainda por cima, em benefício de um ou outro candidato?
NO ESTADO E NA REGIÃO
No Estado de São Paulo, dos 34,1 milhões de eleitores, cerca de 7,6 milhões não compareceram ao pleito, num total de 22,54%.
Dentre os sete municípios da região Oeste da Grande São Paulo por onde circula este jornal Página Zero (Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba), de um eleitorado total de 1,542 milhão, cerca de 362 mil não foram às urnas (23,47%).