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Região Oeste repete feito histórico de 20 anos atrás e elege quatro deputados federais

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O resultado das urnas das Eleições 2026, contabilizado no último domingo, 4 de outubro, mostrou para a região Oeste da Grande São Paulo, notadamente entre os sete municípios por onde circula este jornal Página Zero, que o eleitorado – apesar de também correr com certas tendências e modismos – tem potencial e consegue eleger um bom número de deputados federais.
A Câmara dos Deputados, em Brasília, é composta por 513 deputados federais e o Estado de São Paulo, a cada pleito, elege 70 representantes.
Em relação às chamadas “tendências”, pode se citar o primeiro colocado em termos de votação no Estado: o atual vereador Lucas Pavanato (PL), eleito vereador da Capital em 2024 com 161.386 votos, atingiu a impressionante marca de 3.038.438 em sua primeira candidatura a deputado federal, batendo o recorde entre o eleitorado paulista que até então era de Eduardo Bolsonaro, candidato a deputado federal por São Paulo em 2018, eleito com 1,8 milhão de votos. Na contagem geral para a Câmara Federal, ele só perde para o mineiro e companheiro do PL, já deputado federal eleito, Nikolas Ferreira, que neste ano conquistou 3.119.314 votos.

MARCA HISTÓRICA

Excetuando-se o voto em “tendências extraordinárias”, o eleitorado da região Oeste conseguiu garantir neste pleito a escolha de quatro deputados federais que irão representá-lo pelo próximo mandato, a partir do ano que vem.
O último feito igual a esses (a eleição de quatro deputados federais) havia acontecido há exatos 20 anos, na eleição de 2006. Naquela época, a região havia escolhido João Paulo Cunha (PT/Osasco), Silvinho Peccioli (PFL/Santana de Parnaíba), Fernando Chucre (PSDB/Carapicuíba) e Francisco Rossi (PMDB/Osasco). Marca semelhante a essa também havia acontecido no pleito de 1998, com as escolhas de Rubens Furlan (PFL/Barueri), Celso Giglio (PTB/Osasco), João Paulo Cunha (PT/Osasco) e Fernando Zuppo (PDT/Osasco).
Os eleitos neste pleito de 2026 foram (pela ordem de votos):

  • IGOR SOARES (PSD/Itapevi) – Nascido em Curitiba/PR, tem 45 anos de idade e formação como administrador. Foi vereador de Itapevi por um mandato (2009 a 2013), deputado estadual (2015 a 2016), prefeito de Itapevi por dois mandatos seguidos (2017 a 2024). Foi candidato a deputado federal pela primeira vez e obteve 181.820 votos.
  • JOÃO PAULO CUNHA (PT/Osasco) – Nascido em Caraguatatuba/SP, tem 68 anos de idade e formação como metalúrgico e advogado. Foi vereador em Osasco pelo mandato estendido de 1983 a 1988 e eleito deputado estadual para o mandato de 1991 a 1994. Depois disso, teve enorme ascensão com mandatos como deputado federal, cumprindo cinco mandatos consecutivos entre 1995 e 2014. Chegou a ser eleito presidente da Câmara dos Deputados para o período entre 2003 e 2005. Lançou-se ou articulou candidaturas sem sucesso à Prefeitura de Osasco e, na última delas, em 2012, desistiu do pleito em favor de seu vice na época, Jorge Lapas (eleito prefeito), em razão da inclusão de seu nome na investigação do conhecido processo do “Mensalão”. Foi condenado a uma pena de 9 anos e 4 meses de reclusão, cumpriu período de inelegibilidade e, agora está de volta. Foi eleito com 109.548 votos.
  • MARCOS NEVES (PSD/Carapicuíba) – Nascido em São Paulo/SP, tem 51 anos de idade e formação como administrador. Filho do ex-prefeito de Carapicuíba, Luiz Carlos Neves (1983 a 1988), Marcos Neves foi eleito vereador na cidade por dois mandatos consecutivos (de 2001 a 208). Na eleição de 2010 foi eleito deputado estadual e reeleito em 2014. Deixou o posto em 2016 para lançar-se candidato a prefeito de Carapicuíba e também foi eleito para dois mandatos seguidos (2017 a 2024). Nesta eleição, em sua primeira candidatura a deputado federal, foi eleito com 98.359 votos.
  • WESLEY CEZAR LELINHO (PL/Santana de Parnaíba) – Nascido em São Paulo/SP, tem 35 anos de idade e ocupação como empresário. Apesar de algumas tentativas e de uma família com políticos experientes, ainda não tinha histórico de mandatos eletivos. Ele é filho de Marmo Cezar, que foi prefeito cassado de Santana de Parnaíba e deputado federal, e irmão de Elvis Cezar, que foi vereador, presidente da Câmara e atualmente cumpre o terceiro mandato como prefeito de Santana de Parnaíba. Lelinho tentou a vida pública em 2014, lançando-se vereador, obteve 1.400 votos, mas teve problemas com o registro da candidatura e não se elegeu. Depois, em 2022, tentou eleição como deputado federal, obteve 41.054 votos e também não se elegeu. Desta vez, com grande empenho da família durante a campanha, foi finalmente eleito ao obter 66.673 votos.

OS NÃO REELEITOS E A ‘QUASE OSASQUENSE’

Apesar da marca histórica da escolha de quatro deputados, a região Oeste deixou para trás dois representantes que cumprem mandatos em Brasília, atualmente. São eles Ribamar Silva (Podemos) e Fábio Teruel (MDB).

  • Ribamar Silva é legítimo representante de Osasco, onde nasceu e onde também cumpriu onde foi vereador por dois mandatos consecutivos (2017 a 2024). Em 2022 lançou-se candidato a deputado federal não sendo eleito diretamente (65.219 votos), mas ficando com uma suplência do PSD. Assumiu definitivamente a cadeira de deputado federal em 1º de janeiro de 2025. Na tentativa de reeleição, trocou o PSD pelo Podemos, obteve 52.909 votos e não conseguiu a reeleição.
  • Fábio Teruel é locutor, radialista, influenciador, cantor e evangelizador. Teve sua infância em Osasco e mantém residência no bairro do Alphaville, em Barueri. Chegou a “ameaçar” candidatura a prefeito em Barueri, mas não vingou. Lançou-se candidato a deputado federal em 2022 e, com a expressiva marca de 235.157 votos, foi eleito pelo MDB. Apesar do envio de algumas emendas parlamentares a cidades da região, não era visto presencialmente nessas cidades. Se manteve no MDB, conquistou neste ano 75.251 votos e não foi reeleito.
  • Renata Abreu é advogada e “política de carteirinha”. Presidente nacional do Podemos, vem exercitando mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, em Brasília. Já está em seu terceiro mandato consecutivo. Na eleição de 2022, por sua liderança no Podemos e diversos políticos da região defendendo a legenda, “fincou pé” nas cidades de Itapevi, Carapicuíba e, principalmente, Osasco. Chegou a ser citada, inclusive por este Página Zero, como eleita pela cidade naquela oportunidade. Entretanto, neste ano, já sem as mesmas lideranças sob sua supervisão e talvez respeitando o lançamento de muitas candidaturas em Osasco, não teve tanta presença durante a campanha. Como seu endereço oficial é a cidade de São Paulo (Capital), foi reeleita pra o quarto mandato em Brasília, com 199.100 votos, mas não entrou na lista de deputados eleitos pela região.

Renovação da Câmara federal chegou a 35%

Entre os 513 deputados federais eleitos no domingo, 4 de outubro, 183 vão exercer o primeiro mandato, uma taxa de renovação de 35,67% dos integrantes da Casa. Os parlamentares representarão os estados e o Distrito Federal na 58ª legislatura, de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2031.
Enquanto isso,  301 deputados federais foram reeleitos, o que representa 58,6% do total de parlamentares eleitos titulares nas eleições de outubro de 2022 ou os suplentes que foram efetivados como titulares do cargo, ao longo desta 57ª legislatura.
Há ainda 29 ex-deputados federais em legislaturas anteriores à atual que voltarão à Câmara. O índice de novos deputados (35,6%) mantém a média de oxigenação da Casa, em relação à eleição anterior, de 2022 (39,3%). Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmados pela Câmara dos Deputados.

PRETOS E PARDOS ELEITOS

Os eleitos autodeclarados pretos e pardos conquistaram 135 cadeiras da Câmara dos Deputados, o que corresponde a 26,3% do total de 513 deputados federais da próxima legislatura. O número representa o encolhimento de 2,9% da bancada negra, em relação aos parlamentares federais pretos e pardos eleitos em 2022, que somou 139.

INDÍGENAS

Entre os eleitos autodeclarados indígenas, apenas três candidatos garantiram mandato de quatro anos na Câmara dos Deputados para seguir em defesa dos povos originários e de seus territórios. São eles: o deputado reeleito Paulo Guedes (PT-MG), com 126.891 votos; a deputada Juliana Cardoso (PT-SP), reeleita com 111.904 votos; e a primeira ministra dos Povos Indígenas, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sônia Guajajara (PSol-SP), deputada federal reeleita com 54.207 votos (por quociente eleitoral).
Com este número, a bancada indígena minguou para aproximadamente 0,58% dos 513 deputados, na comparação com a eleição de 2022, quando cinco indígenas tinham sido eleitos para a Câmara. Antes deles, apenas Mário Juruna (PDT-RJ) tinha exercido o cargo, entre 1982 e 1986; e em 2018, Joenia Wapichana (Rede-RR), conseguiu uma vaga na Câmara, tornando-se a primeira mulher indígena a ser eleita para esta função.

GÊNERO

Na eleição deste ano, 108 mulheres foram eleitas para a próxima legislatura da Câmara dos Deputados, o que torna esta a maior bancada feminina da Casa de todos os tempos. O número representa aumento de 18,68% em comparação com 2022, ou seja, 17 mulheres a mais do que as 91 eleitas no pleito anterior.

PARTIDO

Assim como fez no Senado (ver matéria nesta edição), o Partido Liberal (PL) elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e terá 121 deputados da legenda na próxima legislatura. São 24 a mais que na eleição anterior.
A segunda colocada entre as bancadas foi a Federação Brasil da Esperança, formada pelas seguintes siglas: Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde (PT-PCdoB-PV), com 88 deputados – seis a mais que na última eleição (ver quadro com futuras bancadas).

MAIS VOTADOS

A eleição também produziu novos recordes de votação. O deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, superou 3,11 milhões de votos e se tornou o deputado mais votado da história do país. Nikolas ultrapassa os próprios números da eleição passada (2022), quando foi o parlamentar brasileiro mais votado, com 1,47 milhão de votos.
Em segundo lugar entre os mais votados para a Câmara, com 3.038.438 de votos, chegou Lucas Pavanato (PL), de 28 anos que, atualmente, é vereador do município de São Paulo e youtuber. A marca é quase o dobro da terceira colocada, a deputada Erika Hilton (PSol-SP), reeleita com 1.596.472 votos. A parlamentar, que atualmente preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, foi a recordista de votos da bancada feminina.

Fonte: Agência Brasil

A lista com os votos de todos os 1.045 candidatos a deputado federal pelo Estado de São Paulo, em ordem alfabética, pode ser acessada
pelo link https://paginazero.com.br/2026/10/06/relacao-dos-candidatos-a-deputado-federal-por-sp-em-ordem-alfabetica/

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