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Orçamentos municipais têm crescimento acima da inflação e superam previsão de R$ 17,4 bilhões para 2026

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A cidade de Carapicuíba, apesar de ter baixa relação per capita com o orçamento, chegou à marca de R$ 1 bilhão - Foto: Arquivo/PMC

Com apenas uma exceção, previsões orçamentárias da região para 2026 superam média inflacionária do país

No final do ano passado, os sete municípios da região Oeste definiram suas expectativas orçamentárias para este ano de 2026, como sempre expressando aquilo que cada uma de suas respectivas administrações públicas espera arrecadar e gastar em termos de recursos financeiros. Reiterando o que os especialistas vêm projetando como um crescimento nos dados gerais da economia, quase todas as cidades registraram perspectiva de crescimento acima da inflação oficial de 2025, com exceção de Jandira, a única que registrou decréscimo em relação ao ano anterior.
Essa perspectiva de crescimento, no entanto, não é uniforme: enquanto uma projeta evolução de 19,53% (Pirapora do Bom Jesus) em sua peça orçamentária, outras fixam em 7,35% (Santana de Parnaíba); mas ainda assim todas bem acima da inflação oficial do ano passado, em torno de 4,26%. Na média geral, as sete cidades projetam crescimento em torno de 7,7% para os orçamentos deste ano (ver quadro com Evolução).
Esta é a principal conclusão que se tira do balanço que o jornal Página Zero elabora todos os anos sobre as peças orçamentárias na região, envolvendo as cidades de Osasco, Carapicuíba, Barueri, Jandira, Itapevi, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus, apresentado em detalhes nesta edição.
Outras análises também devem ser consideradas, como a já citada queda na projeção de Jandira; a chegada de Carapicuíba ao marco de R$ 1 bilhão na previsão orçamentária; ou mesmo o total entre todas elas, atingindo a expressiva marca de R$ 17,4 bilhões.

INFLAÇÃO X ORÇAMENTO

De forma geral, essa projeção acima dos níveis inflacionários é constatada repetidamente em quase todos os anos, com algumas poucas exceções. Senão vejamos: a inflação oficial de 2025, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 4,26%, diante de uma previsão de crescimento total de 7,7% para 2026. De 2019 para 2020, a inflação era de 4,31% e a previsão orçamentária de 10,86%. De 2021 a 2022, mesmo diante de uma inflação de 10,06%, a previsão de crescimento era de 18,27%.
Essa relação de crescimento das projeções orçamentárias em comparação com a inflação do ano anterior só não foi maior entre os anos de 2020 para 2021 (aí notadamente explicadao pela pandemia do Coronavírus) e de 2023 para 2024 (ver quadro Inflação x Orçamento).

OS DESTAQUES

Este ano de 2026 também deve considerar que é o primeiro ano em que os atuais prefeitos da região conseguiram elaborar seu próprio orçamento municipal. Isso porque, eleitos em 2024, quando os orçamentos foram ainda elaborados pelos antigos chefes executivos, tiveram de administrar tais números durante todo o ano de 2025 com aquilo que fora elaborado no ano anterior, com algumas “pitadas” próprias, sim, mas sem toda a autonomia desejada.
Em 2025, cumprindo seus primeiros anos de mandato, eles já tiveram a oportunidade de coordenar suas equipes para imporem suas políticas e perspectivas de recebimento e de gastos dos recursos para este ano.
A exceção, novamente, ficou com Jandira, justamente onde o único prefeito da região, Dr. Sato (PSD), foi reeleito. Ou seja: de 2024 para 2025 ele elaborou a peça orçamentária para sua própria administração, naquela época com um crescimento de 6,33%, mas que agora, de 2025 para 2026, apontou um decréscimo de – 8,22%.
Essa oscilação de crescimento entre as cidades também pode ser notada de forma exacerbada: Pirapora do Bom Jesus, por exemplo, teve uma perspectiva de crescimento orçamentário de 19,53% de 2025 para 2026; seguida bem de longe por Itapevi (+11,11%) ou Barueri (+10,94%). Santana de Parnaíba (+7,35%) e Carapicuíba (+7,36%) apresentam índices ainda menores e bem parecidos e a “gigante” Osasco foi a que menor percentual apresentou, de +5,57%, mas ainda assim acima da inflação de 2025.
Outra relação sempre presente nos balanços anteriores era o “revezamento” entre Barueri e Osasco no primeiro posto do volume orçamentário entre as cidades da região. De ano para ano, ora Osasco ocupava o posto de maior volume orçamentário e, invariavelmente, no ano seguinte era Barueri quem chegava lá, quase parecendo uma “disputa” entre ambos. De 2024 para cá, no entanto, esse “confronto”, apesar de estar mantido, tem revelado certa superioridade para os lados baruerienses: a cidade já apresentou maior orçamento em 2024 (R$ 5,1 bilhões contra R$ 4,8 bi de Osasco); em 2025 (R$ 5,8 bi contra R$ 5,1 bi de Osasco) e agora também para 2026 (R$ 6,5 bi contra R$ 5,4 bi de Osasco).
Essa “disputa” também aparece em outro dado econômico, mas com vantagem para o lado osasquense, ou seja, no cenário nacional da produção de riquezas, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB). Em sua edição de 16 de janeiro último (ed. nº 1.731), este jornal Página Zero mostrou que, segundo levantamento do IBGE, Osasco se mantém como o 8º maior PIB do país e o 2º maior do Estado de São Paulo; enquanto Barueri aparece em 17º em todo o país e em 6º no Estado (dados de 2023).

OS NÚMEROS

Se Osasco e Barueri “brigam” pelo primeiro posto no volume orçamentário, com cifras que chegam a R$ 5,4 ou a R$ 6,5 bilhões (respectivamente), outras cidades da região também têm lá seus motivos para celebração. É o caso de Santana de Parnaíba, por exemplo, que se mantém na 3ª colocação desse ranking, e que chegou à marca dos R$ 2,0 bilhões de previsão orçamentária; ou de Carapicuíba, que apesar de ser considerada ainda uma das mais pobres do Estado, também “chegou lá” e atingiu a marca de R$ 1,0 bilhão em sua peça orçamentária para 2026. Carapicuíba aprece na 5ª colocação do ranking regional e, antes dela, na 4ª posição, está Itapevi, com orçamento de R$ 1,5 bilhão.
Depois delas, aparecem Jandira – em 6º – com R$ 685 milhões e Pirapora – em 7º – com 127,9 milhões (ver quadro Orçamentos Municipais e Evolução).
Esse cenário quase sempre “ruim” para Carapicuíba se deve principalmente ao volume orçamentário em relação ao total de habitantes da cidade. Ou seja: com a 2ª taxa demográfica da região (386.984 habitantes, segundo o IBGE) – ver quadro com Indicadores Sociais – a cidade mantém o 5º orçamento dentre todas as demais, o que a faz permanecer com a menor relação per capita (por cabeça).
De acordo com os números atuais, caso o orçamento da cidade (R$ 1,0 bilhão) fosse dividido por cada habitante da cidade, esse valor ficaria em R$ 2.611,58 por ano para cada um. Barueri, que tem o melhor índice nesse sentido, teria dez vezes mais do que isso: R$ 20.581,66 por habitante por ano (ver quadro com Orçamento Per Capita).

EDUCAÇÃO, SAÚDE E CÂMARAS MUNICIPAIS

Por imposição de legislações federais, os investimentos de cada cidade nos setores de Saúde e Educação devem ser priorizados em relação às outras áreas administrativas. Isso quer dizer que, se um prefeito desejar priorizar outra área, como a Segurança, por exemplo, pode encontrar problemas na hora de prestar contas para os setores que o fiscalizam. Por isso mesmo, esses dois setores tendem a aparecer sempre como os dois primeiros das listas de investimentos de cada município.
Já há alguns anos, entretanto, o governo federal e sua equipe econômica vêm tentando flexibilizar essas determinações, apoiados no principal argumento de que a imposição orçamentária dificulta a ação dos agentes públicos, notadamente no que diz respeito às verbas a serem gastas com a administração em si (pagamentos de salários, encargos, etc); que também têm limitação de custos imposta por lei. O jornal Página Zero faz uma mostra dos valores investidos por cada cidade nesses dois setores (ver quadro Saúde e Educação).
Outro setor que recebe verbas de forma distinta são as câmaras municipais, que não são considerados setores da chamada Administração Direta, mas impõem gastos ao município porque vereadores, assessores e tudo o que os cerca deve ser custeado através do orçamento municipal.
Esses custos variam, normalmente, em razão do número de vereadores de cada Câmara Municipal, e são repassados mensalmente aos legislativos no que é chamado usualmente de “duodécimo”.
As duas prefeituras com maiores orçamentos, Barueri e Osasco, também têm os maiores valores absolutos repassados às suas respectivas câmaras municipais. Osasco, por exemplo, prevê transferir para seu Poder Legislativo, em 2026, R$ 150,6 milhões, enquanto Barueri projeta repasse de R$ 120 milhões. No entanto, esse valor de Barueri representa “apenas” 1,84% de seu orçamento total, enquanto o de Osasco representa 2,76% de seu bolo orçamentário.
Nessa relação entre Prefeitura e Câmara, a cidade que maior percentual do orçamento prevê repasses neste ano é Itapevi, com 3,25% do orçamento, num total de R$ 50,6 milhões (ver quadro Repasse às Câmaras Municipais).
Este “raio-x” do jornal Página Zero também mostra a evolução orçamentária de todas as cidades da região em relação às suas projeções orçamentárias dos últimos 5 anos. De forma geral, dos R$ 11,6 bilhões de orçamentos apresentados para 2022, o crescimento para os R$ 17,4 bilhões de 2026 representa uma evolução de 49,09%, ante uma inflação de 20,97% no mesmo período. Nesse quadro (Evolução Orçamentária das Cidades da Região nos Últimos 5 Anos), a cidade que registrou maior crescimento foi Pirapora do Bom Jesus (+67,19%) e a que teve menor índice foi Osasco (33,64%).

TODOS ELES

Por fim, apenas como comparativo, o orçamento de todo o Brasil (União) para 2026 é estimado R$ 6,5 trilhões; enquanto o do Estado de São Paulo, ficou em torno de R$ 382,3 bilhões; e o da cidade de São Paulo (a Capital), em R$ 137,3 bilhões. O atual presidente da República é Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o governador de São Paulo é Tarcísio de Freitas (Republicanos); e o prefeito da Capital paulista é Ricardo Nunes (MDB).
Nas cidades da região, os atuais prefeitos são: Gerson Pessoa (Podemos/Osasco), José Roberto (PSD/Carapicuíba), Beto Piteri (Republicanos/Barueri), Dr. Sato (PSD/Jandira), Marcos “Teco” Godoy (Podemos/Itapevi), Elvis Cezar (Republicanos/Santana de Parnaíba) e Gregorio Maglio (MDB/Pirapora do Bom Jesus).