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O conflito EUA-Irã e o risco da Terceira Guerra Mundial

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Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Nós, os humanos, estamos vivendo – ainda não sabemos por quanto tempo – grandes preocupações. Os Estados Unidos – maior potência econômica e militar do planeta – e Israel, vêm mexendo em coisas que podem levar até à Terceira Guerra Mundial, temida por toda a humanidade, que sabe dos danos causados pelas Primeira (1914-18) e Segunda Guerras (1939-1945) e já ouviu falar que as armas desenvolvidas a partir daqueles tempos – especialmente as nucleares – têm poderio para destruir a Terra e dizimar todos que nela vivem. O ataque dos EUA e Israel ao Irã – a república islâmica sucessora da Pérsia – agita todo o Oriente Médio e outras regiões e, ainda, poderá alterar a economia mundial na medida em que provocar a escassez do petróleo e o aumento em seus preços. Mas o pior é que o Irã dispõe de um programa nuclear que ninguém sabe ao certo qual a potência. O país diz que as substâncias radioativas destinam-se ao uso pacífico, mas a desconfiança dos seus adversários é de que o sistema já possui material suficiente para montar bombas atômicas com elevado poder de destruição e matança. Sabemos também que os iranianos são ousados e têm toda a disposição de retaliar. Tanto que já atacou instalações dos EUA em todos os países vizinhos e promete fazer mais. A morte do aiatolá Ali Khamenei, dirigente iraniano, também tende a ter repercussões e represálias que poderão trazer perigo aos países que tiverem algum envolvimento no episódio ou parceria com os executores. Ações e reações tendem a levar o mundo ao conflito de repercussão inimaginável. Até porque, além das forças próprias, o Irã é visto também como o mantenedor e financiador de organizações terroristas de diferentes matizes e capacidade.
Nós, os brasileiros, não podemos ignorar que estamos no meio da estrada que liga o conflito. O presidente Lula, ativista de esquerda, e sua equipe já se pronunciaram contra Israel e Estados Unidos em diferentes oportunidades, defendendo seus companheiros esquerdistas nos diferentes embates. Nos primeiros dias do ano, quando os EUA ocuparam militarmente a Venezuela e aprisionaram o presidente Nicolás Maduro, Lula e o governo brasileiro protestaram. Tempos depois, o nosso presidente reuniu-se com outros esquerdistas latinoamericanos para criticar o presidente Donald Ttrump e nossas relações com a potência econômica e militar do norte é tumultuada e até perigosa. Isso sem contar que Trump é parceiro ideológico do ex-presidente Jair Bolsonaro – hoje encarcerado – e pede sua libertação, que Lula e seus parceiros políticos rejeitam. Não dá para esquecer que Trump tem o propósito de vencer – eleitoralmente ou até por outros meios – os governos esquerdistas que ainda estão no poder na América Latina (Cuba, Colômbia, Nicarágua e até o Brasil).
Torcemos para que Donald Trump, embora tenha o formidável poder proporcionado pelos EUA, seja perspicaz o suficiente para evitar conflitos desnecessários e que possam levar ao sofrimento os povos do seu país e das outras nações. Que cultive boas relações para com isso também manter o fluxo comercial e tecnológico que ao longo de mais de dois séculos promoveram o desenvolvimento da região.
Que os Estados Unidos sejam administrados da forma mais perspicaz possível e não necessite usar sua força contra os parceiros, como o Brasil. Que os parceiros (inclusive o Brasil) sejam suficientemente capazes de manter boas relações e evitar empreitadas inviáveis, como foi o chamado Foro de São Paulo, que Fidel Castro e Lula fundaram em 1990 com o sonho de montar na América Latina algo nos moldes da União Soviética que eles próprios viram se esfacelar naquela época. Hoje parece estar comprovado que uma nova federação comunista é tão inviável quanto se tornou a URSS extinta na virada dos anos 80 para 90 do século passado. Queremos que todos os governantes pensem nisso e evitem as ações extremadas que só podem levar à derrocada. O ideal será se todos conseguirem conviver apesar de suas diferenças ideológicas, mas se isso for impossível, que mitiguem suas diferenças e possam construir a paz.
Em reparação ao conflito EUA, Israel e Irã, o ideal será se conseguirem negociar suas diferenças e evitar as agressões. Algo que hoje nos parece difícil, mas não podemos considerar absolutamente impossível. Melhor a paz penosamente negociada do que a imposição a favor de qualquer dos lados em contenda.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo (Aspomil)