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Votos apurados na região começam a ‘desenhar’ cenário para as eleições municipais de 2028

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Todas as fotos utilizadas nestas páginas foram reproduzidas dos canais digitais de divulgação dos próprios candidatos e/ou eleitos (Facebook e/ou Instagram)

Recorte regional das Eleições 2026 reforça lideranças, tendências e estratégias que podem dar início às disputas municipais de 2028

Em sua última edição (Ed. nº 1.769, de 9/10/26), o jornal Página Zero publicou os resultados das Eleições 2026 que, no final das contas, ainda não se encerraram. Afinal, em pelo menos mais cinco estados (Espírito Santo, Amazonas, Rio Grande do Norte, Acre e Tocantins), além do Distrito Federal, ainda haverá disputa em 2º turno para o cargo de governador; assim como também para a principal disputa deste ano, para a presidência da República, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). A decisão final, em todos esses casos, ocorrerá daqui a dois domingos, dia 25 de outubro.
Na “frieza” dos números, dentro do Estado de São Paulo confirmaram-se as vitórias do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), dos futuros senadores Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), dos 70 deputados federais que irão representar o Estado em Brasília e dos 94 integrantes da nova composição da Assembleia Legislativa, a partir do próximo ano.
Nesta edição, este Página Zero se apoia agora em alguns dos números da região em que tem atuação, na chamada parte Oeste da Grande São Paulo, onde constatou-se, por exemplo, que os eleitores das sete cidades por onde o jornal circula (Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba) escolheram e elegeram quatro deputados federais (Igor Soares – PSD/Itapevi, João Paulo Cunha – PT/Osasco), Marcos Neves – PSD/Carapicuíba e Wesley Cezar Lelinho – Republicanos/S. Parnaíba), além de outros quatro deputados estaduais (Bruna Furlan – Republicanos/Barueri, Camila Godoi – União/Itapevi), Emidio – PT/Osasco e Rogério Lins – Podemos/Osasco).

REGIÃO AMPLIADA

Para algumas pessoas ou entidades, a região Oeste é ainda maior do que apenas essas sete cidades. É o caso, por exemplo, do Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana, o Cioeste, que atua em diversas frentes pelos municípios de sua jurisdição e que, além dos sete, ainda engloba cidades como Araçariguama, Cajamar, Cotia, Ibiúna, Itu, São Roque e Vargem Grande Paulista. A se considerar apenas essa lista, o Cioeste comemora ainda a eleição dos ex-prefeitos de Cajamar e Cotia, Danilo Joan (PP) e Rogério Franco (PL), respectivamente, ambos eleitos a deputado estadual. Danilo Joan, por exemplo, da pequena Cajamar, que contabiliza apenas 70.100 eleitores, conseguiu ser o segundo mais bem votado dentre todos os candidatos da região, com 182.839, atrás apenas do campeão Rogério Lins, de Osasco, com mais de 229 mil votos (ver quadro).
Qual papel exercerá Danilo Joan a partir dessa votação? Ficará restrito à sua Cajamar ou irá expandir sua atuação pelos municípios vizinhos? Essas são pequenas questões que certamente irão tomar conta do cenário político daqui por diante.
Mas o tema não se encerra por aí: se, além dessas cidades, forem também incluídos municípios como Embu das Artes ou Taboão da Serra, mais três eleitos são incluídos na lista, sendo um deputado federal (Ney Santos – Republicanos/Embu das Artes) e duas deputadas estaduais: Analice Fernandes – PSD/Taboão da Serra e Ely Santos – Republicanos/Embu das Artes, essa irmã do ex-prefeito do Embu das Artes, Ney Santos. Todos esses nomes, e outros que não conseguiram eleição, estão incluídos na lista geral da região (ao lado).

‘DANDO AS CARTAS’

De forma geral, a primeira análise que salta aos olhos é que candidatos eleitos como os ex-prefeitos de Osasco (Rogério Lins), Carapicuíba (Marcos Neves) e Itapevi (Igor Soares), além de Bruna Furlan, que é filha do ex-prefeito de Barueri, Rubens Furlan, continuam “dando as cartas” em suas respectivas cidades. Cada um deles, dentro de seus respectivos cargos pretendidos, venceu a eleição em seu próprio reduto eleitoral e com grande margem de folga em relação aos demais votados nessas mesmas cidades. De forma bem simplória, só isso já basta para indicar que, daqui a dois anos (em 2028), quando ocorrerão as eleições municipais, cada um deles terá o “baralho nas mãos” para decidirem o que bem entenderem em termos de candidaturas, composições e apoios.
Em resumo: dos 229 mil votos de Rogério Lins, só em Osasco ele obteve 153,8 mil; dos 181,8 mil totais de Igor Soares, 77,2 mil foram obtidos em sua Itapevi; dos 157,3 mil de Bruna Furlan, ela conquistou 78,1 ml em Barueri; e, por fim, dos 98,3 mil de Marcos Neves, ele conquistou 65,6 mil em sua Carapicuíba.
Sem que precisasse colocar seu nome na disputa, outro líder regional que garantiu destaque nesse pleito foi o prefeito de Santana de Parnaíba, Elvis Cezar (Republicanos). Ele está em seu terceiro mandado à frente do Executivo municipal, poderá ainda tentar a reeleição em 2028, e conseguiu emplacar a eleição de seu irmão Wesley Cezar a deputado federal. Lelinho, como é conhecido, já havia tentado sem sucesso outras eleições, mas a conquista deste ano, com pouco mais de 66 mil votos, dá um alento ainda maior às pretensões de Elvis Cezar não só em sua Santana de Parnaíba mas, quem sabe, até em cenário ainda maior. Não se pode esquecer que o moço foi candidato ao governo do Estado de São Paulo na eleição de 2022.

DISPUTAS INTERNAS

Muitas candidaturas neste tipo de eleição geral são vistas por especialistas como forma de algumas lideranças municipais apenas lançarem seus nomes para não serem esquecidos no pleito que ocorrerá daqui a dois anos. Em alguns casos, serve também para que essas lideranças demonstrem força de votos e negociações mais favoráveis na próxima disputa. Em outros casos, no entanto, são vistas apenas como forma de obterem recursos que não são totalmente gastos neste período e/ou são acumulados para enriquecimento próprio ou para “formação de caixa” para as próximas eleições, mas, neste caso, apurações e investigações devem ficar a cargo da Justiça Eleitoral.

  • Em se tratando de disputas internas, dentro de suas próprias cidades, o parnaibano Elvis Cezar, com a vitória sua e de seu irmão, também dá um basta temporário a uma possível ameaça, já que o vereador Silvinho Filho (PSD), que dá o tom da oposição na cidade, ficou bem para trás no que era visto por muitos como um “cabo de guerra” entre ele e o clã Cezar. Enquanto Lelinho foi eleito e mostrou o poder de Elvis, Silvinho – que é filho do ex-prefeito Silvinho Peccioli – obteve apenas 11,2 mil votos para a mesma disputa à Câmara Federal e, pelo menos por enquanto, não tenderá a pleitear mais do que a reeleição à Câmara dos vereadores. Aliás, tal votação lhe fortalece para isso.
  • Em Carapicuíba, os 98,3 mil votos de Marcos Neves ficaram um pouco abaixo da expectativa de seus principais correligionários. Já há alguns anos ele vê crescerem pretensões de aliados fortes na cidade, como sua ex-vice-prefeita Gilmara Gonçalves (PL) e o atual vice-prefeito Guto José (Podemos). Ambos não escondem a preensão de voos mais altos, o que poderia “ameaçar” a hegemonia de Neves. Neste ano, ambos se candidataram a deputado estadual e não obtiveram sucesso. Aliás, o resultado é pífio do ponto de vista eleitoral, já que Guto obteve 22,3 mil votos e Gilmara apenas 18,4 mil. Podem “não ter direito” a pleitear muita coisa para a próxima eleição mas, juntos, conquistaram 40 mil votos para a própria eleição de Marcos Neves. Considerando que todos os votos de Guto e Gilmara foram para Neves em sua luta pela eleição a federal, sem esses 40 mil ele teria apenas 58 mil votos conquistados; ou seja, não seria eleito. Em resumo: Marcos Neves continua com o poder, mas deve pensar em “fatiá-lo” entre algumas forças “amigas” nos próximos anos.
  • Em Osasco também há questões a se resolver: o atual deputado federal Ribamar Silva (Podemos) ficou alijado em sua tentativa de reeleição, ao obter apenas 52,9 mil votos. Em “conta rasa”, dentro de seu Podemos, precisaria de 100 mil votos para se eleger, lhe faltando, portanto, algo em torno de 50 mil votos. Acontece que, na cidade, em vez de a máquina administrativa lhe apoiar, optou por investir em pelo menos outros quatro candidatos ao mesmo posto: Éder B2 (Republicanos), Lau Alencar (PSD), Pedro Sotero (PL) e Sérgio Di Nizo (PRD) que, juntos, somaram pouco mais de 47 mil votos. Ou seja: contagem bem próxima de ajudar a reeleição de Ribamar e nenhum federal eleito com o aval da administração municipal.
    Pelo contrário: em vez disso, Rogério Lins e sua equipe vêm ressurgir o nome do ex-deputado federal do PT, João Paulo Cunha, que sempre exerceu oposição na cidade e que pode voltar a se fortalecer. Afinal, depois de todo um histórico negativo contra si, João Paulo conquistou nova eleição com mais de 109 mil votos. Se Lula virar a eleição para presidente no 2º turno, João Paulo em Brasília e Emidio, eleito novamente deputado estadual, ganharão protagonismo dentro do PT e virarão ameaça para os propósitos futuros de Rogério Lins. Se Flávio Bolsonaro confirmar a vitória já obtida em 1º turno, João Paulo e Emidio sentirão o “peso” da minoria em seus territórios e certamente não ameaçarão a “soberania” de Lins.
    Muitas outras ponderações podem ser tiradas dos primeiros números apresentados desde a semana passada. Novas contingências certamente terão de ser consideradas com o passar do tempo e do próprio cumprimento dos mandatos daqueles que foram eleitos em 4 de outubro. Por isso, até 2028 muitas delas ainda passarão pela lente deste Página Zero.