
No final do mês de abril último, dia 24/4, parte da população osasquense, notadamente aquela ligada aos setores culturais da cidade, se demonstrou chocada com a notícia que começava a se espalhar, sobre o fato de a Prefeitura local jogar no lixo centenas de livros que fariam parte do acervo da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, localizada no Centro da cidade.
A própria biblioteca tem sido alvo de polêmicas na cidade, já que está fechada desde 2020 com o argumento oficial de que estaria passando por reformas. Considerada um dos principais pontos de acesso à cultura na cidade, a Biblioteca Monteiro Lobato é tratada como centro de pesquisa a milhares de estudantes, porém a administração municipal não dá previsão sobre sua reabertura à população.
Fotos e imagens do descarte em caçambas, de um volume aproximado entre 35 mil e 40 mil livros, entre obras de autores locais, livros de poesia e coleções antigas de jornais começaram a circular pelas redes sociais e acabaram virando matéria jornalística em programas de televisão e em outros veículos de comunicação.
Alguns desses veículos informaram terem recebido da Prefeitura uma nota informando que o descarte era necessário porque os livros estavam mofados e contaminados por fungos, “para evitar a contaminação de outras obras”. O jornal Página Zero não recebeu essa nota da Prefeitura que ainda completava informando ter seguido orientação jurídica para realizar o descarte do ma terial e que os itens eliminados serão repostos. A administração não informava, no entanto, se houve avaliação de especialistas em conservação de patrimônio histórico ou de profissionais da área da saúde para atestar a contaminação por fungos e mofo.
REPERCUSSÕES NEGATIVAS
A repercussão negativa foi tão grande, que diversos setores da comunidade osasquense começaram a se expressar, dentre representantes culturais, autores literários e até a classe política.
Na Câmara Municipal, por exemplo, durante a sessão do dia 28 de abril, os vereadores aprovaram o Requerimento nº 07/2026, de autoria conjunta dos 21 parlamentares, solicitando à Prefeitura informações sobre todo o ocorrido. Além do documento aprovado em plenário, o presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes, Guilherme Prado (PRD) declarou que o secretário de Cultura, Marcelo da Silva, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre o episódio.
Na quinta-feira, dia 7, diversas entidades ligadas aos movimentos culturais, aliadas a partidos políticos e outros grupos havia programado uma mobilização em frente à Câmara Municipal, chamada de “Ato pela Cultura de Osasco”, no que definiam como defesa ao acervo e repúdio ao desmonte da Biblioteca Monteiro Lobato.
O Ministério Público (MP) também foi acionado para apurar o caso e, depois das denúncias, os livros teriam sido recuperados ao acervo da biblioteca.
SINDICÂNCIA
Mesmo depois das repercussões e da eventual nota distribuída a alguns veículos de comunicação, o prefeito Gerson Pessoa (Podemos) demonstrou aparente surpresa com todo o enredo e, em suas redes sociais, divulgou que determinou a apuração do caso. Em texto, escreveu: “Quero tratar com seriedade o que aconteceu com os livros da Biblioteca Monteiro Lobato. Determinei a abertura de uma sindicância para apurar os fatos e, se houver irregularidades, os responsáveis serão responsabilizados.
Todo o acervo está armazenado e passará por uma avaliação técnica feita por um instituto especializado. Nosso objetivo é recuperar, preservar e reintegrar tudo aquilo que estiver em condições adequadas.
A biblioteca será reaberta no segundo semestre, em um espaço modernizado, com mais conforto e incentivo à leitura para a população de Osasco.
Tenho compromisso com a história da nossa cidade, com a educação e com o respeito ao patrimônio público. Livro não é apenas objeto: é memória, conhecimento e identidade. E é assim que vamos tratar”, encerrou.







































