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Agosto Lilás – mês de enfrentamento nacional da violência em face da mulher

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Maria Inês Vasconcelos

A cor é também uma forma de linguagem. Escolheram o lilás, por ser uma cor suave e cheia de delicadeza para representar o “Agosto Lilás” – mês de enfrentamento nacional da violência em face da mulher.
A escolha do lilás é sempre motivo de dúvida. Muitos perguntam, por que a escolha por essa cor? Historicamente, tons de violeta e lilás foram incorporados aos movimentos pelos direitos das mulheres e, com o tempo, tornaram-se símbolos de dignidade, resistência, igualdade e transformação. Lilás mostra que delicadeza não se confunde com fraqueza.
De fato, o “Agosto Lilás” reverbera não só a questão da violência em face da mulher, mas é uma das principais agendas no calendário dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Pontue-se que a transformação da causa individual para uma causa de natureza coletiva tem importância imensa nas democracias. Aliás, o termômetro de uma democracia se mede também pela confiança em suas instituições e o enfrentamento à violência contra a mulher não pertence a um partido, a uma ideologia ou a um grupo político. É mais que isso. São direitos fundamentais: dignidade humana, liberdade, igualdade e cidadania.
A cor lilás, então, passou a funcionar como um verdadeiro código social — é vista, reconhecida e associada à proteção, aos direitos e à denúncia.
Temos um tecido social lilás, costurado com milhares de vozes femininas. São vozes de superação, somadas a muitas outras que trazem luz e esperança para a mulher brasileira.
A cor lilás lembra que a resistência pode ser suave e paciente. Chega de gritos.
Infelizmente, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados no primeiro trimestre de 2026 apontam um aumento de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025, com 399 vítimas registradas no país entre janeiro e março. É preciso seguir lilás. Porque 399 não é apenas um número. São 399 mulheres que nos deixaram a responsabilidade de não silenciar e de proteger as que estão aqui.
Lilás é transformar em compromisso a liberdade da mulher brasileira, que está sendo retrofitada no calendário. Hoje ela repousa na esperança do lilás, esperança erguida em vitórias consistentes, dentre elas redução das agressões, medidas protetivas deferidas em caráter de urgência e diminuição da impunidade de uma maneira geral.
Vale lembrar que o mês de agosto também é marcado por avanços na legislação brasileira. Se até 2006, data que marca a sanção da Lei Maria da Penha, nº 11. 340, comemorada no dia 7 de agosto, a questão da violência doméstica era tratada como uma questão privada, a Lei Maria da Penha trouxe à tona e com enorme amplitude a compreensão do que se trata de violação de direitos humanos. Foram muitos avanços e, hoje, a Lei é considerada uma das três legislações mais evoluídas do mundo pela ONU, rompendo o silêncio institucional e cultural que banaliza a violência contra mulher no Brasil.

Maria Inês Vasconcelos é advogada