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Honra teu pai e mãe

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Humberto Pinho da Silva

Eu tinha um amigo, generoso e leal, que com mágoa citava, a cada passo, o conhecido adágio: “A casa dos pais é sempre a dos filhos; mas a destes pode ser ou não”.
Reformado, recolheu-se à terra natal, cultivando o quintal da casa que construiu com amor e sacrifício. Andava de fisionomia sempre alegre; mas, sabe-se lá, a tristeza que residia no âmago do coração.
Um dia, ao podar árvore frutífera, caiu, estatelou-se. Foi para o hospital. Andou em cadeira de rodas, mas conseguiu recuperar graças à fé inabalável.
Depois…faleceu-lhe a mulher. De início andava de filha em filha, acabando a residir com a mais velha – talvez por possuir melhor condição financeira – que cuidou dele com carinho e amor.
Dias antes do acidente que o vitimou, encontrei-o em companhia da filha, numa confeitaria gaiense. Verifiquei, então, a dedicação e a ternura como era tratado.
Infelizmente nem todos os idosos têm igual sorte. A maioria dos progenitores são estorvos, que não permitem aos filhos viajarem e levarem vida folgada.
Terminam – em geral – o crepúsculo da vida num lar. Se possuem posses, acolhem-se em hotéis, onde nada lhes falta; carinho, amor e alimentos bem confecionados; mas, caso contrário, são depositados em asilos.
Conheci idoso bragançano que me confessou, no lar em que vivia: “De início estranhei. Reparto o quarto com dois companheiros do infortúnio. Como sou cego, acomodei-me, mas sentia não ter privacidade. Depois, acostumei-me”.
Também conheci filha, que tratou o pai com grande ternura e extrema dedicação. Certa ocasião resolveu ausentar-se, de férias. Pediu aos irmãos para o receberem durante esse período. Nenhum o queria: porque a casa era pequena ou por exercerem atividades incompatíveis.
A não ser as beneméritas misericórdias, quase ninguém se lembra dos idosos pobres e remediados.
Os municípios pensam apenas em erguer lares para estudantes e turistas, mas olvidam sempre construírem casas de repouso para naturais e residentes, no concelho.
Por quê? Os velhos ficam dispendiosos e pagam – quando pagam – mal. As reformas são insignificantes, em geral. Os que auferem rendimentos elevados, e reformas chorudas, hospedam-se em hotéis… ou não lhes falta quem os queira em sua casa…
Mas os pobres e remediados, quem cuida deles, mesmo conhecendo o preceito evangélico?

Humberto Pinho da Silva é criador e editor do blogue luso-brasileiro “PAZ”